
Para quem ainda não viu, a Nokia está realizando hoje e amanhã o Nokia World 2011, evento que visa mostrar os caminhos que a marca está tomando e as novidades que chegarão em um futuro próximo. Hoje (26), um keynote estrelado por Stephen Elop, Blanca Suti e Kevin Shields apresentou os próximos lançamentos da marca: 4 aparelhos com S40 – cujos detalhes nós publicamos – e a nova linha Lumia, que representa o caminho sem volta que a empresa está tomando.
Para quem não sabe, há cerca de 8 meses a Nokia anunciou que fabricaria aparelhos rodando Windows Phone 7, o mais recente sistema operacional para celulares da Microsoft. Afirmou também que ainda esse ano teríamos ao menos um aparelho rodando o sistema (disse a mesma coisa do MeeGo, e cumpriu). Durante o Nokia World 2011, a empresa finalmente anunciou não só um, mas dois aparelhos com Windows Phone 7: o Lumia 800 e o Lumia 710.
Ao contrário dos aparelhos anunciados logo antes, a linha Lumia não se foca só nos mercados emergentes, são aparelhos mundiais, que serão inclusive vendidos nos Estados Unidos (onde a Nokia não vende aparelhos normalmente), mas sem esquecer dos países em ascensão. Os aparelhos terão preços superiores aos da linha Asha, mas ainda assim, competitivos para o mercado, especialmente o Lumia 710.
No software, as semelhanças entre os aparelhos somem. O Windows Phone 7 em nada lembra o MeeGo, ou o Android, ou o iOS. Nas palavras de Kevin Shields, a interface Metro do WP7 é melhor, porque foca no conteúdo, no que está acontecendo, e não em “uma grade de ícones que fica lá sem fazer nada”. Os tiles e hubs do WP7, já discutidos exaustivamente, mostram a informação em tempo real. Uma fusão entre os widgets do Android e os ícones, unificados numa interface fácil de compreender e coerente entre diversos aplicativos. E… Bem, pronto, é isso. Nenhuma grande maravilha, nada que justifique a afirmação de que o Lumia é o primeiro Windows Phone 7 verdadeiro, feita por Shields.
O Lumia 800 estará disponível imediatamente para Reino Unido, França, Dinamarca, Finlândia e Espanha. Até o fim do ano, expandirá para outros países, como Estados Unidos, Rússia, Singapura e Índia. Segundo Shields, versões CDMA e LTE serão oferecidas em algumas operadoras, para satisfazer as necessidades locais. O preço? Singelos 420 euros, sem contar subsídios que as operadoras possam oferecer. Não surpreende nem por bem, nem por mal, mas a Nokia poderia ter incluído uma política mais agressiva de preços para promover sua nova menina dos olhos.
Pelo lado do software, duas novidades da Nokia e uma com parceiros: o Nokia Drive é a versão “digivolvida” do Nokia Maps, e promete ser uma solução completa de GPS e navegação para o aparelho. Com mais de 68 milhões de pontos de interesse (destinos como lojas, restaurantes, pontos turísticos, etc), é um dos mais abrangentes sistemas de navegação já embutidos em um celular, se não for o melhor até hoje. Outra funcionalidade interessante apresentado pela Nokia é o Mix Radio, embutido dentro do aplicativo Nokia Music. Ele permite montar playlists automaticamente e, tal qual o Genius, da Apple, ou o Last.FM, teoricamente se adequa aos gostos do consumidor, escolhendo automaticamente sugestões com base no que o usuário tem ouvido. Por fim, o aplicativo da ESPN promete ser uma central para fãs de esporte, com tabelas, notícias, curiosidades, programações, enfim, uma solução completa com informações e recursos. A Nokia prometeu ainda aplicativos baseados em realidade aumentada, que ajudariam a pegar ônibus, obter informações sobre os locais, e poderiam até complementar o GPS, mas ficou só no discurso e não mostrou screenshots da aplicação em funcionamento.
Por fim, fica a dúvida: será que a Nokia conseguirá ser a fabricante do “próximo bilhão” de pessoas conectadas? Na atual conjuntura, é difícil, mas eles estão se esforçando para sair do buraco, ou ao menos para apagar o fogo da plataforma, como Elop descreveu a empresa em um e-mail de meses atrás.
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